RITMOS E SIMETRIAS DA PRIMAVERA
Publicado em: 9 de novembro de 2025


A exposição da peça “Ritmos e Simetrias da Primavera” apresenta o resultado de uma experiência de expressão artística vivida pela turma do 7ºD, na qual som, cor e movimento se entrelaçam numa experiência sensorial e poética. O ponto de partida foi a escuta da obra A Sagração da Primavera (1913), de Igor Stravinsky, uma peça que revolucionou o mundo da música ao romper com os padrões tradicionais de ritmo e melodia. A força da natureza, o despertar da vida e a intensidade dos ciclos sazonais encontram eco nesta composição, e foi justamente essa energia primitiva que serviu de estímulo para o trabalho plástico desenvolvido em Educação Visual.
O processo criativo iniciou-se com uma exploração gráfica livre, onde os alunos calcorrearam a relação entre música e desenho, ouvindo atentamente a peça de Stravinsky durante cerca de trinta minutos. Com ambas as mãos, desenharam em simultâneo sobre uma cartolina de grande formato, explorando a amplitude dos braços e a fluidez do movimento. A cada variação da melodia, o traço mudava de direção, de intensidade, de cor. As linhas nasciam e entrelaçavam-se, criando uma espécie de coreografia visual onde o corpo inteiro participava do ato de desenhar, entre a pulsão da participação, a diversão e até mesmo a fadiga. A concentração, o silêncio e a escuta atenta foram fundamentais para transformar o som em ritmo visual.
Seguiu-se a reinterpretação e a recomposição. Em pares, os alunos combinaram elementos dos seus desenhos, procurando harmonias e contrastes, numa dimensão diferente do processo: a descoberta de um novo equilíbrio visual, a possibilidade de recriar a obra a partir de si mesma.


A recombinação resultante marcou-se em composições guiadas pela simetria e pela variação, evocando os ritmos naturais da primavera – o desabrochar das flores, o voo dos insetos, o sopro do vento, o pulsar da vida. A simetria axial e radial, explorada em várias formas, serviu como metáfora da harmonia e do equilíbrio que a natureza nos ensina.





O projeto culminou na criação de um painel coletivo, construído com a participação simultânea de todos os alunos. Esta etapa final simboliza a convergência das ideias, o poder da interrelação entre pares e a importância da colaboração para alcançar um objetivo comum. A composição final evoca o RelacionAR-te onde cada fragmento mantém a sua identidade, mas se liga aos outros num diálogo visual contínuo.


Assim, “Ritmos e Simetrias da Primavera” é mais do que um objeto exposto: é uma celebração da escuta, do gesto e da criação partilhada. Tal como na música de Stravinsky, onde o caos e a ordem se misturam num ciclo de renovação, também aqui o traço se transforma em símbolo de vida e de renascimento. Esta peça é, em suma, uma sagração do olhar – um convite a ver o som, a ouvir a cor e a sentir o ritmo que habita em cada um de nós.


Esta exposição é, assim, um testemunho do processo relacional criativo vivido em conjunto.
